Friday, March 21, 2008

Asas(inhas) por Luisa Oliveira

Lá ao fundo, bem lá ao fundo. Uma pintinha próxima da linha do horizonte que os seus pequenos olhos alcançavam.
“- Achas que é muito longe?”
“- Tens pressa?”
Caminharam. Lado a lado, mão com mão. O fio que existia entre os seus olhos só se quebrava, de tempos a tempos, para vislumbrarem o pequeno ponto e perceberem se iam na direcção certa. E daí, talvez nem se quebrasse. Talvez esse fio invisível estivesse sempre presente, unindo muito mais do que o olhar. Com a respiração sincronizada, o resto do Mundo ficava muito longe e o paraíso dos sonhos abraçava-os e enlaçava-os e entrelaçava-os. Eles eram esse lugar encantado. Passo a passo, a pintinha lá ao fundo ganhou forma.
“- Uma placa?”
Sim, uma placa. Uma placa daquelas que indicam o início ou o fim de uma localidade. Uma simples placa de beira de estrada, com a única particularidade de não ter nada escrito.
“- E agora, como sabemos que sítio é este?”
Ele agarrou na caneta preta e escreveu. Ela sorriu.

Luisa Oliveira

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